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Especial

Professor Matias critica a regularização de faixas–pretas oriundos da Liga

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Carta aberta aos dirigentes e professores filiados à Federação Gaúcha de Judô emitida pelo seu ex-presidente Carlos Matias Pauli Azevedo.

Leia a íntegra.

Prezados Dirigentes e Professores:

Como integrante da comunidade judoística há 48 anos, sinto-me no direito de manifestar-me sobre a regularização de Faixas–Pretas oriundos da Liga RS, junto a nossa Federação. Sou uma espécie de testemunha ocular da história.

Seguidamente, minha administração (1983-2007) tem sido responsabilizada pela criação da Liga. Na verdade, é uma história que poucos conhecem. A maioria se vale de observações, feitas por terceiros, para se posicionarem, e que muitas vezes não são verdadeiras.

As pessoas que fundaram a Liga tinham, na ocasião, boa relação comigo e, sempre que necessário, foram atendidas em suas pretensões. Suas promoções de Dan sempre foram concedidas pelo reconhecimento do trabalho em prol do judô gaúcho.

Fui comunicado, por telefone, da criação da Liga, por seu mentor, como sendo uma entidade visando ajudar o judô do interior, mas com o objetivo de filiar-se a FGJ, como se fosse uma espécie de Delegacia. No entanto, de uma hora para outra, ocorreu uma mudança de atitude e a Liga tornou-se “oposição” à FGJ.

Ao contrário, do que se tenta imputar aos que não conviveram com o problema, a Liga não veio para resgatar os verdadeiros ideais do judô gaúcho, mas sim, para dividir o nosso esporte. Isto foi entendido por muitos professores do interior que não se deixaram envolver pelo “canto das sereias”, mantendo-se fiéis a FGJ, embora recebendo convites e promessas.

A partir do comportamento da Liga, e seus articuladores, passamos a atender as resoluções da CBJ sobre o assunto, uma vez que a Confederação é a Dirigente Nacional da modalidade. A Liga filiou-se a Liga Nacional de Judô, oposição a CBJ.

Jamais partiu de mim qualquer ação pessoal, mas sim o que era orientado pela máter nacional, que não reconhece ligas como sendo do sistema oficial do desporto.

A partir da criação da Liga, muitos “Faixas Pretas” que nunca foram federados, passaram a integrá-la, recebendo promoções em desacordo com a CBJ e, sabe-se lá de que maneira.

Agora, como premiação por suas rebeldias, vão receber um indulto e regularizar suas situações junto a FGJ, mesmo que não se saiba das origens de grande parte destas “Faixas Pretas”.

Este indulto da FGJ deve ser por que eles foram “vítimas da ditadura do Presidente Matias”.

O que dizer aos professores do interior que se mantiveram fiéis a FGJ e sempre procuraram obedecer ao que era emanado da CBJ?

Eles, que deram sustento ao processo federativo durante todos estes anos vão ter que “conviver” com seus “colegas” que viviam,esportivamente, amargem do sistema oficial. Será justo?

Os sacrifícios a que se submeteram para atingir seus objetivos, terão o mesmo valor daqueles que não trilharam, por opção, o mesmo caminho.

Na verdade, os “Faixas Pretas” oriundos da Liga levarão vantagens sobre os federados, pois terão apenas que fazer cursos, sem qualquer avaliação, para serem brindados com sua regularização. Todos sabemos como funciona a participação em um curso que não tem avaliação final. Como saber se eles realmente tem o conhecimento compatível com a graduação que alegam?

Os Federados, sempre conviveram com uma situação diferente. Tem que fazer cursos e exames. Sendo reprovados, tem que voltar no ano seguinte e fazer tudo novamente. Se rodarem, mais uma vez, é outro ano perdido. Os “colegas” da Liga não terão nada disto. É o que se depreendeda decisão tomada na reunião realizada em Caxias do Sul, na noite do dia 10 de outubro. É justo?

Basta culpar um ex-dirigente, que agiu dentro da lei esportiva, pelos “males ocorridos” e tudo será esquecido, com um futuro maravilhoso para todos. Tudo em nome da globalização e da inclusão social.

Não estou julgando ninguém.

Apenas expondo os fatos e defendendo, indignado, os federados, que sempre deram suporte ao processo oficial e “suaram sangue” para obter suas promoções. É a estes que o Presidente da FGJ deve satisfações, uma vez que foi eleito pelo processo federativo.

Os que vem da Liga, cujas promoções não são reconhecidas pela CBJ, foram promovidos de forma irregular e seus exames não tem nenhum valor oficial. Portanto, não existem.

Por ter agido conforme determinado pela CBJ, não me furtarei ao debate, se necessário, defendendo o que sempre respeitei: a hierarquia.

O processo federativo é o único reconhecido pela CBJ, COB e FIJ.

Quem está fora deste contexto não existe no sistema oficial.

Porto Alegre, 01 de novembro de 2008

Carlos Matias Pauli de Azevedo

Discussion

19 comments for “Professor Matias critica a regularização de faixas–pretas oriundos da Liga”

  1. Muito louvável a atitude do professor Matias de expor a sua indignação. Espero que através daqui surja um debate mais aprofundado sobre esta questão. Ou será que já esta dado encerrado este tema?

    Posted by José P. | November 12, 2008, 4:27 pm
  2. professor me diz qual faixa preta não ganhou graduação sem fazer esforço nenhum na sua gestão . o senhor dava graduaçoes em troca de favores ,o que o caca quer fazer é o que o sr não quis unificar o judo do rs acho o gesto de uma inteligencia total

    Posted by tiago camilo | November 13, 2008, 8:01 pm
  3. Prezado Tiago Camilo

    Primeira mente gostaria de lhe dar os parabéns por tudo que você como atleta tem feito pelo judô nacional, pois você é um exemplo para tantos atletas e criança.

    Lendo o seu comentário me senti de certa forma atingido pelas suas palavras uma vez que sou professor de judô no RS desde 82, e com certeza fiz exames e recebi minhas promoções, como tantos outros professores competentes que cá estão.

    Seria de grande valia para nós do RS sabermos, que favores tu fala? E quais seriam os professores que foram promovidos sem esforço?

    Por esta curta passagem de tempo que ministro aulas de judô, pude transmitir meus escassos conhecimentos a vários atletas campeões nacionais, sul americanos e alguns com classificação em pan americanos, e como tu bem sabes alguns eram teus colegas de treino na Sogipa (Daniel Bordgnon , Natália Bordgnon, Maira Aguir, Hellen Aguiar,) e tantos outros.

    Mas meu maior orgulho é a formação do caráter de meus alunos, os títulos passam, a carreira como atleta também, o que fica depois é a personalidade de um cidadão isto é eterno.

    Mais um vez parabéns pela tua carreira como atleta.

    Cid Júnior

    Posted by Cid Júnior | November 14, 2008, 11:42 am
  4. Tiago Camilo

    Pelo respeito e admiração que tenho “pela parte visível” de sua carreira de judoca e atleta (sim porque ser atleta, nem sempre é o mesmo que ser judoca)espero que sua parte judoca possa estimular sua humildade em reconhecer a infelicidade de suas palavras acerca de ter generalizado LEVIANAMENTE uma suposta troca de favores por Faixas Pretas aqui no Rio Grande do Sul. Saiba vc que ralei muito para conquistar a minha e não teve NENHUMA troca de favores para que eu a colocasse na minha cintura. Aliás fiz o EXAME com três fraturas consolidadas do jeito que em se quebraram os ossos, só fazendo cirurgia do manguito rotador esquerdo APÓS ter realizado o exame, pois, do contrário ficaria mais um ano na faixa marrom e teria, obrigatoriamente que fazer tudo novamente, como bem asseverou o professor Matias. Aquelas sempre foram as regras… Tenho uma história de honra e sacrifício e não admito que quem quer que seja venha a tentar enxovalhar esta história por conta de razões ou circunstâncias talvez irreveláveis e não postadas aqui. Sou da antiga e fiquei 16 anos na faixa marrom porque colocá-la na mente, com todo seu simbolismo, é muito mais difícil do que colocá-la na cintura. Fiz um caminho filosófico para isso e só poderá entender esse caminho aquele que se preocupou em ser judoca, antes de ser faixa preta, como poucos que conheço.
    Caso não reconheças o tamanho da gafe que cometeste, demonstrarás inequívocamente que és APENAS um atleta.

    Celso Luís Cardoso,
    Judoca Gaúcho.

    Posted by CELSO LUÍS CARDOSO | November 14, 2008, 5:38 pm
  5. De outra banda, vejo com profunda preocupação o encaminhamento que vem sendo dado a questões históricas do judô gaúcho, tais como esta questão levantada pelo professor Matias, as graduações na CBJ, os critérios para promoção, cursos, e tantas outras questões. O mundo dá voltas e vamos ver no que vai dar os exemplos de arrogância e dissimulação que tenho visto por aí.

    Celso Luís Cardoso

    Posted by CELSO LUÍS CARDOSO | November 14, 2008, 5:51 pm
  6. judocas perguntem sobre as finanças da federação ,dividas e mais dividas. e sobre a outra federação………

    Posted by tiago camilo | November 15, 2008, 4:13 am
  7. perguntem ao atual presidente carlos eurico sobre o san dan dele

    Posted by tiago camilo | November 15, 2008, 4:20 am
  8. perguntem ao carlos eurico sobre o san dan dele

    Posted by tiago camilo | November 15, 2008, 4:21 am
  9. .

    Posted by celso luis cardoso | November 15, 2008, 4:32 am
  10. Acho que assuntos do judô RS tem que ser resolvidos por gauchos , os de fora ficam de fora ,nos abrilhantam com suas visitas em nossos dojo .
    Esse comentario feito pelo judoca PAULISTA não atinge ninguem por que cada um sabe das dificuldades que passou para atingir a referida graduação , tenho certeza que com todos os meritos possiveis .
    Temos que sempre olhar as mudanças com bons olhos, confiar nas pessoas que se propuseram mudar para melhorar e esquecer o passado e seus erros .
    Tenho a convicção que o nosso presidente ira tomar as medidas necessarias; para primeiro enquadrar todo e qualquer forasteiro que inapropriadamente se manifestar em nossa jurisdição , e fara uma reunião com todos os interressados para dar as devidas justificativas de sua ação .

    Posted by Marcelo Pernoncini Filho | November 16, 2008, 2:36 pm
  11. Marcelo Pernoncini *

    Posted by Marcelo Pernoncini | November 16, 2008, 2:38 pm
  12. O comentario acima foi feito por MARCELO PERNONCINI .

    Posted by Marcelo Pernoncini | November 16, 2008, 2:40 pm
  13. Caros companheiros de judogi…

    Não creio que aquele comentário acintoso, fora de propósito e profundamente deselegante tenha partido do Tiago que conviveu tão bem conosco recentemente.
    Entretanto, o debate é interessante: os rumos da nossa entidade e do nosso esporte aqui no RS. Temos sim que discutir critérios, apontar falhas, sugerir melhorias, cobrar… Nós somos o judô do RS e, assim, responsáveis por todos os seus avanços e retrocessos até agora.
    Que mais e mais pessoas usem esse rico espaço para construir o nosso Judô. Parabéns aos companheiros que idealizaram e que mantém no ar esse porta!!
    Um forte abraço a todos,
    Luciano G. dos Santos
    Judoka desde 1982

    Posted by Luciano G. dos Santos | November 19, 2008, 8:25 pm
  14. Caros Senhores

    Fui professor e atleta da Liga RS de Judo. Tive o prazer de conviver com professores e atletas de muita qualidade técnica e de carater.
    Hoje vejo uma Federação Gaucha de Judo completamente renovada e mais tolerante (no sentido de procurar uma unificação do judo), o exemplo dado pelos seus dirigentes e pela comissão de graus foi exatamente o que o mundo esta precisando hoje praticar a tolerância. Não vejo demérito algum em equalizar as graduações mediante uma atualização. Alias alguns comentários acima falaram em filosofia do judo, que ser judoca é mais que ser atleta. Bom meus amigos e colegas judocas vamos praticar o ceder para vencer, vamos praticar o caminho da humildade e deixemos de pensar que o conhecimento que conquistamos é maior e melhor do que outros dos quais sabemos pouco ou quase nada.
    Parabenizo o presidente Carlos Eurico, parabenizo o professor Quico, parabenizo a comissão de graus.
    Um só judo no estado é a realidade que sempre quis nos últimos oito anos. Poder conviver com os colegas que se manifestaram acima é uma grande alegria, mas façamos a nossa parte vamos fazer o Judo de verdade e deixar a soberba e o orgulho de lado.

    Posted by Clóvis P. L. Mezzomo | November 21, 2008, 8:32 am
  15. Um abraço a todos Clóvis Paulo L. Mezzomo

    Posted by Clóvis P. L. Mezzomo | November 21, 2008, 8:57 am
  16. Muito bom o comentario do colega Luciano G. dos Santos eu no meu caso sou judoca um pouco mais antigo 1974 .
    Um abraço a todos .

    Posted by Marcelo Pernoncini | November 21, 2008, 12:29 pm
  17. companheiros de tatame sou judoca desde 1975,meu sensei joão nery satter de mello (scaramouche)já dizia a tolerancia é uma virtude então vamos andar neste caminho suave,suave em atos e decisões espero ver um judo coeso aqui no rs
    e lembrem sempre dos ensinamentos de jigoro kano se não lembram leiam de novo este é o espirito do judo um abraço a todos .

    Posted by kiko fialho | November 22, 2008, 12:45 pm
  18. só para registrar sou judoca em atividade ainda pela caju de canoas
    do nosso querido sensei flavio pereira faixa-coral 6 dan

    Posted by kiko fialho | November 22, 2008, 12:49 pm
  19. esse é o caminho suave

    Posted by carlos matias pauli de azevedo | December 6, 2008, 3:57 pm

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