Foi-se as época em que o Brasil inteiro parava para reverenciar a Copa do Mundo de Futebol. Evento que de quatro em quatro anos nos ajudava a reafirmar o orgulho e orientar o desejo e a obstinação de um povo. Ruas pintadas, a vizinhança reunida, aulas parcialmente interrompidas. Isso não era pontual, mas sim o reflexo geral do desejo aguerrido de uma nação. Falava-se futebol, respirava-se futebol, vivia-se o patriotismo verde e amarelo, e mais do que isso, uma devoção por um esporte que naquele momento se tornava a razão de milhares e milhares de brasileiros.
Por incrível que possa parecer, ironicamente, com o fim da dívida externa (Obrigado Lula!), com a ascensão das classes emergentes e menos favorecidas (por mínima que seja), com a valorização de nosso país e suas riquezas nesta realidade de comercialização globalizada; aos poucos se faz perceptível a gradativa perda do orgulho, da determinação e da vontade de vencer. Aspectos estes característicos de sociedades, pessoas e equipes ditas vencedoras.
Quem sabe fomos pegos de surpresa por uma gama e um volume tão significativo de investimentos, ou promessa de tais, projetos para Jogos Olímpicos, Copa do mundo e tantos outros eventos esportivos, que inconscientemente ou de forma consciente, nos acomodaram na certeza da prospecção de um fim vitorioso. Afinal de contas, se quando em situações adversas nos destacamos, quiçá agora.
É notória a presença de uma positiva, e eu diria natural, conspiração a favor de nossa nação, quer seja como agente pacificador nas relações mundiais ou como celeiro muti-facetado que gera expectativas globais em relação a muitas áreas do conhecimento, do comércio, da industria, do esporte e até mesmo da fé. Porém, conforme o etnólogo francês Marc Augé a humanidade vive, dentre tantos aspectos, o fruto de uma falta de identificação. A falta de referenciais, a falta de vontade, a falta de querer, a falta de determinação. Existe em si, uma busca pelo conforto e a espera de resultados e resoluções imediatas.
Hoje, como nação e por consequência como indivíduos, a priori, somos mais do que já fomos. Temos mais do que já tivemos. E o respeito que a nós é refletido se deve ao que conquistamos durante anos de história. Antagonicamente não nos afirmamos em muitas de nossas fragilidades, bem como, em algumas de nossas peculiaridades. Ainda precisamos resgatar aspectos positivos que com o passar do tempo tem, vez por outra, nos escapado.
Me parece que esquecemos que a história se escreve. Que campeões são formados em primeiro lugar dentro de si próprios. Que o ser humano dia-a-dia mostra que a linha do impossível é em primeiro lugar desenhada em sua mente. Uma linha que duela constantemente com a linha do conforto em detrimento da linha do crescimento. Que nos diga o jamaicano Usain Bolt ou quem sabe o nadador tupiniquim César Cielo, ou ainda o nosso judoca João Derly, que dentre tantos foram atletas que transcenderam essa linha.
As vezes me parece que estamos chegando a um ponto na história em que há um silencioso-gritante clamor à necessidade de uma mudança de paradigmas. Quem sabe seja tempo de retornar às raízes, reafirmar ícones, trazer à memória referenciais que nos dão esperança, por mais obviamente cíclica que possa parecer ou ser a história. Ter de forma clara e objetiva o real propósito de vida, dentro e fora do esporte. Só assim será possível viver e retratar algo que se faz inerente ao comportamento humano. E principalmente ao comportamento humano brasileiro. O que buscamos, lutamos e chamamos de determinação.
Ah! Quanto a seleção brasileira?
Bom, é hora de pegar a “Vuvuzela”, vestir a camisa verde e amarela e resgatar um pouco mais do orgulho que cada brasileiro tem.
E sim, continuar lutando por um pódio. Aliás que eles venham de preferência à moda antiga, com superação, suor e porque não, lágrimas.
Thiago Lima Moreira
Acadêmico Colaborador PACF/FEEVALE da Pró-Reitoria de Pesquisa, Tecnologia e Inovação
Pós-graduando em Filosofia e Sociologia pela Universidade Feevale-RS
Bacharelando em Psicologia pela PUC-RS
Licenciando em Letras pela UNIP-SP
Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP
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