Daqui a dois dias, está prevista uma assembleia que vai mexer com as estruturas da Federação Metropolitana de Judô de Brasília (Femeju). A informação foi do próprio presidente da entidade, Luiz Romariz Antônio Soares, em matéria publicada pelo Correio, no último dia 16. Segundo o cartola — condenado por improbidade administrativa —, a reunião servirá para oficializar seu desligamento do cargo após 18 anos.
A notícia do fim do reinado de Romariz movimentou a comunidade judoca do DF. No último sábado, membros da federação se reuniram, sem a presença do atual presidente, com o objetivo de definir um novo rumo para a entidade. Entre os participantes estava Robert Luis Marques Rodrigues, irmão do genro de Romariz. O judoca, segundo o ex-atleta olímpico e agora professor da modalidade José Mário Tranquillini, ocupa na atual administração o cargo de diretor-técnico.
Crítico da gestão de Romariz e seus companheiros, Tranquillini disse não ter sido chamado para participar do encontro, mas ficou sabendo e esteve presente. Lá, de acordo com ele, a ideia discutida era a de um novo estatuto. Assim, seria possível fundar outra federação, já que a atual está impedida de receber recursos públicos devido à condenação de improbidade do presidente.
“Eles querem criar uma outra federação, mas vão dar continuidade ao que é feito agora, porque eles já são parte da atual administração. É a mesma turma. O Robert disse que quer assumir a presidência, mas foram eles, por exemplo, que aprovaram as contas erradas do Romariz”, denunciou Tranquillini.
A posição dele é compartilhada pelo judoca Takashi Miura, que dá aulas da modalidade na capital desde 1964. “Sou contra o continuísmo. Eles estão montando outra chapa, mas com as mesmas pessoas. Eles vão acabar com a federação para encobrir uma coisa errada que fizeram”, detonou.
Suposto candidato a substituir Romariz, Robert Luis negou, em entrevista ao Correio, que exista a intenção de assumir a presidência. “Por enquanto, não decidi nada”, afirmou. A reunião do último sábado, de acordo com ele, foi somente para conversar sobre como vão proceder após quinta-feira, quando o cargo deve ficar vago. “Não sabemos quem vai assumir”, frisou. Questionado se ocupa realmente a função de diretor-técnico da Femeju, ele negou novamente. “Não tenho nenhum cargo na federação.”
Acusado de agressão - Robert Luis já teve de responder na Justiça pela acusação de agressão a um menor. Em 2011, como professor de judô, teria usado de violência contra um garoto de 12 anos durante a aula. “Ele quis repreender o meu filho porque ele estava tendo alguns problemas de nota e comportamento na escola. Por causa disso, esfregou o quimono na cara dele”, relatou o pai do judoca, que não quis se identificar.
No dia seguinte, o menino estava com o rosto todo machucado. O pai e a mãe dele prestaram queixa. Robert foi enquadrado no Artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente — “submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento”.
Intimado a comparecer a audiência no Juizado Especial Criminal, da Circunscrição Judiciária de Taguatinga (processo número 25549-6/11), ele aceitou proposta do Ministério Público. Submeteu-se à “transação penal” de cumprimento de 72 horas de serviços à comunidade.
Ao ser questionado sobre o fato, Robert Luis limitou-se a comentar: “Não há processo no meu nome. É muito fácil sair falando”.
Correio Braziliense






















