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Kodanshas do Rio Grande do Sul - Sensei Moraes

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Batalhador. Ninguém pode duvidar. Todos que o conhecem descrevem este homem simples, carismático, alegre e, por muitas vezes, enérgico com seus comandados, desta forma. No judô por quatro décadas, sensei Moraes já vivenciou muito momentos bons e outros nem tantos. Formou muitos campeões, como até hoje forma. Para ele não interessa se a medalha de ouro seja só no tatame; mas sim na vida. Já enfrentou muitas dificuldades, mas nunca pensou em parar. Repassar seus ensinamentos para os mais jovens é esta sua sina. Sensei Moraes é muito mais que um professor é um pai que vive um sonho. E este sonho tem nome: “caminho da suavidade”.

Motivo da escolha por praticar o Judô? Eu era muito gordo, mas precisava praticar algum exercício físico, tinha dificuldades no inicio nos rolamentos e logo percebi que o único adversário seria eu mesmo, gostei do Judô e estou até hoje vestindo o Judo-Gi todos os dias.

Primeira competição? Foi no Citadino, no Grêmio Náutico Gaúcho, ralei muito.

Quem foram os seus principais adversários nas suas competições? Na época eu era o favorito meio pesado, mas teve um tempo que apareceu o Mandeli da Igreja Juventude, forte pra caramba, depois apareceu o Sérgio Zimmermann, também meio pesado, esses dois foram meus principais adversários.

O seu tipo de treinamento foi influenciado por alguém? Eu de fato utilizava o estilo do Professor Chico, que era o Judô Tradicional e muito treino, mas percebi que viajar e competir faz uma grande diferença também no desenvolvimento dos atletas.

O interesse em ser professor de judô surgiu como? Comecei a dar aula ainda quando era faixa marrom na escola Vicente Palloti. Nesta época, não existiam as faixas cinza e azul. Surgiu um convite desta escola e fui dar aula. O início foi de grandes dificuldades. No primeiro ano, foi um fracasso, tinha entre três e seis alunos. No entanto, no segundo ano, já eram mais de cem alunos. Vendo que algo não estava certo, adotei uma nova estratégia. Fiz um planejamento melhor neste ano, divulgando melhor a modalidade. Acho que esta foi a fórmula para o sucesso.

Como foi o trabalho junto às escolas? Foi muito bom, dessa escola saíram grandes nomes do judô, como Carbajal, que foi doze vezes campeão brasileiro. Também saíram campeões Panamericanos, todos cria da escola Vicente Pallotti.

Conciliar a docência e a competição, naquela época, era difícil? Não. Mesmo dando aula e segui competindo. Fui inúmera vezes campeão Citadino, Estadual, Brasileiro, campeão de Luta Livre Olímpica. Nesta modalidade fui terceiro colocado no Brasileiro.

E o trabalho com o público carente, como surgiu a idéia? Acredito que iniciou mais pela minha condição social que não era das melhores. Meu pai era pedreiro e minha mãe lavava roupa para fora. Creio que por ter passado por dificuldades até para treinar judô, me obriguei assim que eu reunisse condições financeiras teria que ajudar as crianças. Veja só: meu primeiro judô-gi foi um presente de um colega que treinava comigo na academia do sensei Obata. Foi o maior e melhor presente que recebi. Lembro como se fosse hoje, era um judo-gi todo remendado. Naquela época, não tinha os judo-gi trançados, levei pra casa, minha mãe fez uma excelente reforma. Lavou com alvejante, deixando ele branquinho novamente. Mas quando estava dando aula, notava que algumas crianças tinham dificuldades para treinar, tinham vontade, mas faltavam os materiais para o treino, foi quando iniciei as visitas em escolas. Na Escola Ayrton Senna, trabalharam dez anos no centro comunitário da Cefer II, dali saíram dois faixas-preta a Adriana C. Gonçalves e Márcio Fã Dornelles, nisso comecei a receber doações de judo-gi. A própria atleta olímpica Mariana Martins, que iniciou comigo no Lindóia, me fez a doação dos dois judo-gi que ela utilizou nas Olimpíadas, para eu dar para os alunos. Hoje, aqui tenho o caso do Marlon, que é o atual campeão Brasileiro Pré-Juvenil. O menino ganhou todas as lutas por Ippon. Graduado, atualmente, com a faixa marrom, é uma cria do projeto que coordeno no Grêmio Náutico União.

Quais são os critérios para novos alunos ingressarem no projeto? Prefiro pegar o atleta sem nenhum conhecimento e fazer o atleta, inclusive minha idéia agora é largar as competições, e ficar só com o trabalho de base, pegar os atletas independentes da idade e dar os primeiros fundamentos. O auxiliar técnico Rafael ficará com a coordenação da equipe de competição.

Além de alguns alunos e colegas, existiu alguma parceria com empresas para patrocinar esses projetos? Na verdade nunca houve. Alguma vez veio até a mim um político oferecendo ajuda. Ele me disse: “Se precisar eu vou lá e dou uma palestra.” E lá pessoas carentes precisam de palestra? Perguntava-me. Sempre foi difícil, mas tínhamos pessoas que se reuniam e ajudavam, fazendo materiais para venda, juntávamos dinheiro para disputar campeonatos fora do estado.

Na parte técnica, como o senhor acredita que se forje um campeão de judô? Treino, treino e mais treino, só assim se pode chegar lá. Sou adepto do judô tradicional. Não gosto muito de ficar catando perna ou outra coisa que fuja da técnica tradicional. Não gosto do estilo que não me dá recurso, tipo aqueles que eu fico sem conseguir fazer uma seqüência, tipo se for dar um Harai-goshi e meu adversário me trancar posso utilizar um O-soto-gari, daí tenho outra maneira de dar outro golpe, assim encaixando uma seqüência.

Quem o senhor apontaria como um grande salto do Judô no Rio Grande do Sul? Acredito que foi na era do Internacional, nós tínhamos só a remuneração do Inter eu e o Professor Antônio, no entanto tínhamos um grupo de pais lá, que nos ajudavam. Faziam festas, faziam bolos, pães, artesanatos pra juntar dinheiro, onde custeávamos as taxas de inscrições e o custo de viagens para os campeonatos. Fizemos todo o circuito Brasileiro. Ficamos em segundo colocado no Brasileiro Beneméritos. Foi quando então alguns clubes começaram a nos copiar, mas durante dez anos o judô do Sport Club Internacional mandou aqui no estado. Cabe aqui ressaltar os atletas que mais se destacaram nesse tempo: Alexandre Garcia, atleta Olímpico uma cria nossa, foi campeão juvenil, júnior, sênior e panamericano tudo no mesmo ano, lutando ainda nas categorias acima da dele. Hoje ele é o professor do Projeto Futuro, em São Paulo. Um trabalho tal com o nosso, com o foco nas crianças carentes.

O que o senhor viu e o que espera da Federação Gaúcha de Judô? A FGJ nunca deu incentivo algum, nem para atletas e nem para os clubes, tudo que era preciso nos tirávamos do bolso, mas na questão de competições eu gostava mais da Era Matias, pois existiam duas competições por mês isso fazia com que os atletas ficassem sempre treinando, e mantinham os atletas mais unidos. Mas depois de um tempo a qualidade das competições foi caindo. Porém, falando agora dessa atual gestão da FGJ, não está acontecendo isso, não tem tantas competições, mas temos que dar um tempo para eles da nova gestão, pois pegaram uma FGJ praticamente arrasada e agora estão levantando a organização, vamos ver este ano. Acredito em uma série de mudanças e melhorias. O trabalho deles é muito bem intencionado e está com qualidade, torcermos para que eles tenham sucesso.

FICHA TÉCNICA

Nome

Luis Alberto Figueira de Moraes

Idade

63 anos

Graduação

7ª Dan

Iniciou no Judô

em 1969 em Porto Alegre

Primeiro local de treinamento

Associação Cristã de Moços de Porto Alegre

Clube atual

Grêmio Náutico União

Primeiro Professor

Francisco Xavier de Chagas Neto

Atletas

Osório, Alexandre, Chico até já perdi a conta…

Por Miguel Noronha

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Discussion

6 comments for “Kodanshas do Rio Grande do Sul - Sensei Moraes”

  1. Prof: Moraes…
    Quanta história pra contar hein….
    Que bela trajetória.
    Parabens!!!
    Abraço
    Sérgio Guido Zimmermann

    Posted by Sérgio Guido Zimmermann | January 16, 2009, 10:42 am
  2. Parabéns pela iniciativa de resgatar uma parte da ótima história do judô gaúcho. Apesar de ter nascido em SP, aprendi a admirar este judô, principalmente depois que meu filho e minha esposa (que são gaúchos) passaram a pertencer à família CAJU.
    Em virtude das competições do meu filho, tive o privilégio de encontrar pessoas como o professor Moraes, mas achei muito importante pra quem não é do Estado ou para as novas gerações, saber um pouquinho da linda e batalhada carreira destes verdadeiros ÍCONES do nosso Judô. Novamente ratifico a iniciativa e lembro que no esporte e principalmente na vida, não devem existir fronteiras e a “autoridade” só se adquire pelo bom exemplo e serviços prestados…
    Um bom ano a todos nós!
    Do Paulista (que também ama esta terra)Gerson Borba

    Posted by Gerson Borba | January 16, 2009, 1:57 pm
  3. Sou um privilegiado, por ter participado desta bela história. Em 1982, iniciei a prática do judô, no Internacional, com este mestre. Tenho muito orgulho de ter sido aluno do sensei Moraes.

    Editor-chefe Portal do Judô

    Posted by Walter Boehl | January 16, 2009, 9:45 pm
  4. Parabéns pela a iniciativa deste site em resgatar a história do nossso Judô, da qual faz parte nosso querido Sensei Moraes.
    Tive a honra de beber dessa fonte lá no Lindóia Tênis Clube. Nossos treinos eram sempre muito bons e a equipe era forte e unida.
    Quem,assim como eu, já teve oportunidade de conviver com essa grande pessoa sabe da justiça dessa homenagem!
    Um abraço a todos e parabéns ao Sensei Moraes,
    Luciano G. dos Santos.

    Posted by Luciano G. dos Santos | January 20, 2009, 9:32 pm
  5. Parabéns por esse belo resgate histórico. Apesar de ser do interior (Santa Maria) e estar a munito afastado des competiçoes de judô, tive o prazer de conhecer o sensei Moraes nessa idas e vindas… realmente não tinha noção dessas dificuldades. Pensava que as coisas na capital eram mais fáceis. Essa história me motiva a tentar mais pelo judô (agora do TO onde trabalho atualmente)e aumenta minha admiração pelos senseis Moraes e Chico.

    Posted by João Francisco Severo Santos | January 21, 2009, 3:37 pm
  6. Parabéns pela a iniciativa deste site em resgatar a história do nossso Judô, na qual faz parte o sensei Moraes. É sempre bom para nós judocas conhecermos a hístoria do nosso judô do Rio Grande do Sul, e a trajetória de vida dos nossos grandes mestres que tanto batalharão pelo nosso esporte.
    Parabéns ao sensei Moraes
    Abraço a todos
    Prof. Élton

    Posted by Élton Reis | January 25, 2009, 11:42 pm

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