O iraniano Arash Miresmaeili nasceu a 3 de março de 1981 na cidade de Khorramabad. Desde cedo mostrou o seu valor como atleta, ao classificar-se em 5° lugar nos Jogos Olímpicos de Sidney 2000, ainda júnior, e no mesmo ano passado dois meses se ter tornado vice-campeão do mundo na cidade de Nabul na Tunísia, nessa mesma classe. Arash sempre foi conhecido por ter feito poucos (ou quase nenhuns) Grand Prix (Copa do Mundo), mas quando chegava ao campeonato mundial conseguia grandes classificações! Em 2001, no seu primeiro ano de sênior conquistou o seu primeiro campeonato mundial em Munique (Alemanha), voltando a repetir esse feito em 2003 na cidade de Osaka (Japão), tornando-se assim bicampeão do mundo!
Arash Miresmaili era o favorito para a medalha de ouro nas Olimpíadas de Atenas 2004, onde foi o porta-estandarte do Irã na cerimônia de abertura. Sendo a sua categoria meio-leve (-66 kg), o sorteio o colocou contra o israelita Ehud Vaks em sua luta de estreia. Desde a revolução islâmica de 1979, o Irã recusa-se a reconhecer a existência de Israel como país, e solidarizou-se com a causa Palestina.
Curiosamente no dia da competição, Arash pesou mais do que é permitido na sua categoria, sendo desclassificado. Foi alegado que esta desclassificação foi deliberada por parte de Miresmaeili, a partir dos seus comentários: “Apesar de eu ter treinado durante meses e estar em boa forma, eu recusei-me a lutar contra meu adversário israelita, pois estou solidário com o sofrimento do povo da Palestina e não me sinto chateado com isso.”.
Um comunicado a partir do Comitê Olímpico Iraniano em Teerã, disse: “Esta é uma política geral de nosso país, abstenção de competir contra atletas do regime sionista e Arash Miresmaeili observou essa política.”.
Oficiais da comitiva nestes JO e políticos iranianos apoiaram este ponto de vista. A agência pública de notícias iraniana (IRNA) citou o então presidente iraniano, Mohammad Khatami, dizendo que a ação de Miresmaeili seria “registrado na história de glórias do Irã” e que a nação o considerou como “Campeão Olímpico Atenas 2004.”. O presidente do comitê olímpico Iraniano, Nassrollah Sajadi, disse ao jornal Shargh que o governo deveria dar ao atleta U$ 115.000 pela sua ação, o valor do prêmio que o governo iraniano daria a um atleta com medalha de medalha de ouro. Em seguida, o presidente de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que, apesar de Miresmaeili “não ter conseguido a medalha de ouro, ele ganhou a honra eterna pela sua recusa”. Gholam-Ali Haddad-Adel, o presidente do parlamento do Irã, felicitou Miresmaeili, chamando à sua recusa em competir uma “decisão corajosa” e que “a sua desqualificação, por apoiar a Palestina iria promover a sua posição no coração dos muçulmanos”.
A 18 de agosto de 2004, a Federação Internacional de Judô (FIJ), criou uma comissão para investigar se Miresmaeili tinha excedido o peso deliberadamente para não enfrentar Vaks. A FIJ também disse que tinha recebido cartas da Federação Iraniana de Judô negando que o atleta se retiraria da competição por motivos políticos.
Após uma audiência que incluía o presidente da Federação Iraniana de Judô, a comissão da FIJ concluiu que Miresmaeili não tinha intenções pré-planeadas para não competir e que “ele não fez nenhuma declaração de qualquer tipo, a qualquer imprensa”. A única questão que ficou foi que o atleta estava acima do peso, e a FIJ afirmou que não havia nenhuma regra para penalizar atletas com excesso de peso e decidiu não tomar nenhuma ação contra Miresmaeili.
A 8 de setembro de 2004, a agência de imprensa oficial do Irão anunciou que o governo deu ao atleta U$ 125.000, o mesmo valor concedido a dois atletas medalhados de ouro em Atenas.
O seu adversário Vaks após o sucedido disse: “Eu tinha esperanças que ele mudasse de ideias para poder competir contra ele, mesmo que eu não tivesse nenhuma hipótese de ganhar, não foi muito gratificante passar para a próxima rodada desta maneira. A política não tem lugar no tatame de judô.”.
Miresmaeili continuou a competir, voltando a conquistar duas medalhas de bronze nos campeonatos mundiais do Cairo 2005 e Rio de Janeiro 2007, chegando a participar nos JO de Pequim 2008 onde perdeu na segunda rodada contra o japonês Masato Uchishita, o campeão olímpico de Atenas 2004.
Via Facebook
























Política não tem lugar em esporte algum. Atitudes como desse “atleta”, mostra a intolerância e também não mostra a verdade. Somos seres de um mesmo mundo e vivemos nesse mundo que abrange terras de várias linguas, mas deixo registrado que a língua do esporte com toda a certeza não é essa. O esporte em si gera amizade. Que Deus abençoe os verdadeiros esportistas de todo o mundo que Ele criou.